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RS sob alerta para tempestades severas, microexplosão e tornado: o que esperar em cada dia

Entre 16 e 26 de julho, volume de chuva pode superar a média histórica para o mês inteiro em regiões do Estado, segundo meteorologistas
RS sob alerta para tempestades severas, microexplosão e tornado: o que esperar em cada dia
16.07.2026 14h06  /  Postado por: mateus

Os próximos dias serão de muita chuva, ventos intensos no Estado. Segundo a Climatempo, a combinação entre o avanço de uma frente fria e o intenso transporte de calor e umidade favorecerá episódios de tempo severo, queda de granizo e até favorecerá condições para microexplosão e tornados.

O que é microexplosão

  • Uma nuvem com grande acúmulo de água chega ao limite da capacidade, até não conseguir mais suportar o volume. A água então cai toda de uma vez. Essa grande quantidade favorece a formação de intensas rajadas de vento descendentes, em direção ao solo. O estrago em terra ocorre em linha reta.

O que é um tornado

  • O tornado tem um giro. O vento fica girando no seu eixo e se deslocando ao mesmo tempo, só que é muito pontual. E supera os 100km/h.

O período de potencial mais elevado para temporais fica entre quinta-feira (16) e terça-feira (21). A previsão indica que, neste período, o acumulado pode ultrapassar os 300 milímetros em diversas regiões.

Em muitos locais, o volume ficará entre 67% e 275% acima da média histórica para o mês, que varia de 80 mm a 180 mm no Estado.

Segundo a Climatempo, nesta sexta-feira há uma “maior probabilidade” para microexplosão na Campanha e Zona Sul. Já no sábado, o Centro-Oeste e Zona Sul terão condições para tornados.

 — A gente vai ter inundações, a gente vai ter alagamentos — alerta Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo.

O caminho dos temporais

A mudança drástica começa na quinta-feira (16), mas o avanço da severidade será gradual e atingirá diferentes regiões nos dias seguintes:

  • Quinta-feira (16): o tempo começa a mudar entre o fim da tarde e a noite, quando a instabilidade avança pelo Extremo Oeste, Campanha e Região Central. Barra do Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Alegrete, Quaraí, Santana do Livramento e São Vicente do Sul estão entre as primeiras cidades atingidas. Há risco de temporais com granizo, ventos fortes e rajadas de vento acima de 90 km/h
  • Sexta-feira (17): o cenário de tempo severo se intensifica e se espalha para o restante do Estado. O perigo alcança a Região Metropolitana, além dos Vales do Rio Pardo, Taquari e Sinos, e a Região Central. Nestas áreas, a chuva pode ser forte em curto intervalo de tempo, causando alagamentos urbanos imediatos, com rajadas de vento acima de 90 km/h
  • Fim de semana (18 e 19): no sábado (18), a frente fria avança para as Missões, Planalto e o norte gaúcho. No domingo (19), o sistema ganha ainda mais força sobre a Metade Norte com rajadas de vento acima de 90 km/h e atenção especial para a serra gaúcha

Por que vai chover e ventar tanto?

Tempo severo no Rio Grande do Sul

Entenda o que causará temporais e alagamentos entre os dias 16 e 26 de julho

O período de tempo severo será provocado pela combinação de diversos “ingredientes” atmosféricos que atuarão simultaneamente.

Entre os principais fatores estão:

  • Bloqueio atmosférico: um sistema de alta pressão que se fortalece sobre o sudeste do Brasil, funcionando como uma barreira que impede o avanço normal das frentes frias, mantendo a instabilidade “estacionada”
  • Frente semiestacionária: devido ao bloqueio, o sistema frontal permanece por mais tempo próximo ao Estado, atuando como um gatilho constante para a organização de áreas de instabilidade
  • Jato de Baixos Níveis: descrito como uma “esteira de ventos quentes e úmidos”, esse fluxo transporta uma enorme quantidade de calor e umidade da Amazônia diretamente para o Sul, servindo de combustível para as tempestades
  • Atmosfera muito aquecida (“briga térmica”): antes da chuva, o Estado terá temperaturas que podem passar dos 30°C. Esse encontro do ar quente vindo do Norte com o ar frio do Sul gera uma “queda de braço” térmica, aumentando drasticamente a possibilidade de temporais e granizo
  • Cavado atmosférico: uma região de baixa pressão em altos níveis da atmosfera que intensifica a instabilidade e cria um ambiente favorável para a formação de supercélulas, tornados e microexplosões

E como fica a temperatura?

O mesmo transporte de ar quente e úmido do norte do Brasil que vai alimentar as tempestades é responsável também pelo aquecimento nos dias que antecedem a chuva mais forte.

Segundo Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, o Estado deve viver dias de calor atípico para julho antes que a frente fria se imponha:

  • Quinta-feira (16): máximas de 27°C a 29°C na fronteira com a Argentina, nos Vales e na Região Metropolitana
  • Sexta-feira (17): temperaturas passam dos 30°C em áreas da Grande Porto Alegre e da região dos Vales. Em Santa Maria, o vento norte — quente e seco — já provoca os primeiros estragos, com rajadas acima de 90 km/h e calor
  • Fim de semana (18 e 19): o calor resiste na Grande Porto Alegre, nos Vales e na Serra. É só à medida que a frente fria avança que a temperatura cai — e a chuva ganha força.

O resultado é um embate direto entre duas massas de ar sobre o Estado.

Até a semana que vem, a gente vai ter uma briga térmica, uma queda de braço entre um ar mais quente e úmido no centro-norte do Rio Grande do Sul e um ar mais frio e instável no Centro-Sul

GUSTAVO VERARDO

Meteorologista da Climatempo

De tempestades a inundações 

Embora o evento comece na quinta-feira (16) com foco em ventos fortes, granizo e risco de tornados no Oeste e Campanha, a preocupação muda de tom a partir de domingo (19).

— O que vai chamar a atenção do domingo em diante, principalmente na semana que vem, é uma chuva muito intensa. Acumulados elevados em boa parte do Estado, que terá em apenas 10 dias mais do que a chuva do mês todo — alerta Gustavo Verardo.

De acordo com o meteorologista, as áreas que devem registrar os maiores volumes e exigem atenção máxima para inundações e alagamentos são:

  • Centro e Campanha: chuva persistente e volumosa
  • Oeste e Missões: primeiras áreas a receberem a instabilidade, com saturação rápida do solo
  • Norte, Sul e Planalto: acumulados que podem causar transbordamento de córregos

* Sob orientação e supervisão de Beto Azambuja

ZH

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