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Carros elétricos viram aposta no mercado de seminovos: “É uma febre”, diz especialista

Oferta cresce nas revendas, mas comprador deve ficar atento à bateria, garantia e manutenção especializada
Carros elétricos viram aposta no mercado de seminovos: “É uma febre”, diz especialista
10.07.2025 10h22  /  Postado por: mateus

O mercado de carros elétricos usados começa a ganhar força no Brasil, especialmente no sul do país, onde o perfil do consumidor mais atento à eficiência impulsiona também o interesse pelos modelos seminovos.

Apesar de ainda representar uma fatia modesta do setor automotivo — cerca de 7%, conforme levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) —, a procura por veículos movidos a eletricidade, mesmo com alguns meses ou poucos anos de uso, cresce de forma consistente, apontam lojistas e especialistas.

— É uma febre, digamos assim, principalmente no Sul. Hoje, o mercado é bem aquecido para o seminovo, principalmente, entre o público popular e motoristas de aplicativo. A nova geração de elétricos já oferece uma autonomia que deixa os clientes tranquilos — avalia Fabrício Custodio, diretor de seminovos do Grupo IESA.

Entre os veículos mais negociados no segmento de elétricos seminovos, os modelos da BYD, como Dolphin e Mini Dolphinlideram a preferência. Por enquanto, a maior parte das revendas ainda está concentrada nas concessionárias.

Os híbridos, que combinam motor elétrico e combustão, também apresentam boa saída, com destaque para marcas como GWM e Toyota.

— Os modelos da BYD foram os que mais vendemos até agora. O uso urbano e o baixo custo de manutenção tornam esses veículos muito atrativos — afirma Gilberto Gomes, proprietário da Garage Car Veículos, loja de Porto Alegre especializada em elétricos.

Vendas de novos crescem e alimentam mercado

O avanço do segmento também é impulsionado pelas vendas de modelos novos, que em pouco tempo devem abastecer o mercado de usados.

Brasil liderou as vendas de veículos eletrificados da América Latina em 2024, conforme o 2º Relatório de Mobilidade Sustentável — Perspectiva do Brasil, publicado pela empresa EvolvX.

Foram mais de 177 mil veículos leves eletrificados vendidos no país, o equivalente a 42,6% do total na América Latina e pouco mais de 7% do mercado nacional de automóveis leves.

tendência de alta se mantém em 2025. Só nos quatro primeiros meses do ano, mais de 54 mil veículos eletrificados leves (híbridos entram nesta conta) foram comercializados no Brasil, segundo a ABVE. O destaque fica para os modelos 100% elétricos (BEVs), que tiveram crescimento de 219% em relação a 2023.

Analisando os números gerais, os mais vendidos no primeiro semestre de 2025 reforçam a dominância da empresa chinesa BYD no mercado brasileiro.

Diferentemente do que se imagina, a depreciação dos carros elétricos não é, necessariamente, mais acentuada do que a dos veículos à combustão.

fator determinante, segundo os especialistas, ainda é cultural — mas isso começa a mudar.

— Nos primeiros anos, os elétricos praticamente não sofrem depreciação, até porque as baterias têm garantia de cinco a 10 anos. Um carro com 200 mil quilômetros pode estar com a bateria em ótimo estado. No fim das contas, o custo-benefício no dia a dia é muito maior — explica Custodio.

Gomes acrescenta que os modelos com boa aceitação, como os BYD, já mostram comportamento de mercado semelhante ao dos veículos tradicionais.

— A desvalorização acompanha a dos carros a combustão. A vantagem é que as revisões são mais baratas e espaçadas. No caso de híbridos como o (Toyota) Prius, já vendemos modelos com quase 200 mil quilômetros e a bateria estava praticamente intacta — revela.

Saúde da bateria

A bateria ainda é o coração (e a maior preocupação) de quem considera um carro elétrico usado. E com razão: o custo de substituição pode girar em torno de 50% do valor do veículo. Mas, na prática, os relatos têm sido positivos.

— Hoje já temos dados concretos. Há casos de veículos BYD com 10 anos de uso e 99% da bateria preservada. No Brasil, há um Volvo com 250 mil quilômetros rodados e 86% de vida útil. A tecnologia amadureceu, e agora conseguimos avaliar com mais precisão a durabilidade — explica Eduardo Costa, CEO da Esquina do Futuro, rede de eletropostos multisserviços.

A recomendação para quem pretende comprar um usado é simples: verifique se a bateria ainda está coberta pela garantia de fábrica e exija um laudo técnico atualizado.

— O próprio carro informa a saúde da bateria. As concessionárias já conseguem aferir esses dados com precisão — reforça Costa.

E a manutenção?

Mesmo com menos peças móveis e menor risco de falhas mecânicas, os elétricos exigem atenção especial na hora da manutenção. Ainda não há oficinas independentes preparadas para lidar com esse tipo de veículo.

— Hoje, o serviço é feito exclusivamente pelas concessionárias. É necessário ferramental específico e treinamento. Não dá para mexer em um carro elétrico de qualquer forma — aponta Custodio.

Gomes concorda e vê nisso uma oportunidade:

— Oficinas especializadas em elétrica podem começar a investir nesse nicho, que tende a crescer rapidamente nos próximos anos.

Peças e reposição

No caso de reposição de componentes, o cenário ainda está em evolução. A disponibilidade varia conforme o modelo e o ano de fabricação.

— Dependendo do veículo, pode ser necessário encomendar a peça. Mas o mercado está se organizando, e as montadoras já estão montando estoques mais robustos para 2025 — diz Custodio.

Apesar disso, o risco existe: um alto custo para troca de bateria pode inviabilizar a manutenção e transformar o carro em um bem descartável.

— Isso é o ponto negativo. Por isso, reforçamos que a instalação e substituição devem ser feitas por profissionais muito bem capacitados — alerta Gomes.

Custo-benefício

Apesar dos desafios, os carros elétricos oferecem benefícios claros, que explicam o entusiasmo crescente do público.

— Carrego o meu carro a cada duas semanas. É muito mais barato do que abastecer com gasolina. Além disso, é moderno, silencioso, não polui. Muitos shoppings e supermercados oferecem vagas com carregamento gratuito, às vezes até melhores que as vagas para idosos — comenta Custodio.

A longo prazo, a decisão pelo carro elétrico tende a ser cada vez menos ideológica e mais matemática, segundo Costa.

— O brasileiro está começando a perceber que é uma escolha racional. Os custos com combustível, manutenção e até IPVA são significativamente menores. Em dois ou três anos, a depreciação dos elétricos vai igualar a dos veículos tradicionais — emenda.

E quando a bateria chega ao fim?

Quando a bateria atinge o fim de sua vida útil, ela não é simplesmente descartada. O setor avança também na destinação correta e sustentável desses componentes.

— Já existem projetos no Brasil para transformar essas baterias em armazenamento de energia em datacenters. Na China e nos Estados Unidos isso já é realidade. E a troca, no Brasil, só pode ser feita com autorização ambiental, que exige o destino final da bateria — explica Costa.

ZH

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