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Exportações do RS crescem 2,3% no primeiro semestre, com queda da China e alta da Argentina

Vendas somaram US$ 9,3 bilhões até junho deste ano, o quarto maior valor da série histórica para o período
Exportações do RS crescem 2,3% no primeiro semestre, com queda da China e alta da Argentina
19.08.2025 10h09  /  Postado por: mateus

Em tempos de tarifaço aplicado pelos Estados Unidos e clima de incerteza entre os exportadores gaúchos, o primeiro semestre de 2025 foi de resultados positivos nos embarques ao Exterior. As exportações do Rio Grande do Sul somaram US$ 9,3 bilhões nos primeiros seis meses do ano, resultado 2,3% acima do mesmo período de 2024. Parte deste crescimento deve-se ao aumento das vendas à Argentina (leia mais abaixo).

Em termos nominais, foi o quarto maior valor da série histórica, iniciada em 1997, para um primeiro semestre. Os dados são do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG).

O desempenho gaúcho contrastou com o resultado nacional, que mostrou queda de 2,5% nas vendas externas no mesmo intervalo do ano. E reforça a vocação exportadora da indústria do Estado, como já classificado pela Federação das Indústrias (Fiergs).

Mas apesar da alta, o desempenho semestral poderia ter sido ainda maior, não fosse a redução nos embarques para a China, principal parceiro comercial do RS no Exterior. O recuo de 25,1% nas compras pelo país asiático se deu, sobretudo, pela venda menor de soja. Colhendo outra estiagem, o Estado teve quebra de 27% na produção do grão.

Impulso vem da Argentina

Na contramão do menor apetite chinês, o destaque do semestre foram as exportações para a Argentina, lideradas pelas compras de automóveis e maquinário.

China (15,8%), União Europeia (12,8%) e Estados Unidos (10,2%) permaneceram entre os principais destinos na produção gaúcha. Em termos absolutos, o destaque foi mesmo a Argentina como principal mercado em expansão. Foram mais de US$ 246,6 milhões em compras de produtos gaúchos pelos hermanos. Depois, vieram Indonésia (mais US$ 235,1 milhões) e Arábia Saudita (mais US$ 99,8 milhões).

Entre os produtos mais exportados, tiveram destaque no primeiro semestre de 2025 o aumento nas exportações de carne suína (35%), de cereais (11,6%), e de um item bastante particular: as máquinas de energia elétrica (173,7%).

— Algo impulsionado ainda no governo de Joe Biden (presidente anterior a Donald Trump), que criou um programa para a modernização do sistema elétrico nos Estados Unidos. Movimento vem sendo observado desde o ano passado — explica Leães.

Top 10

O ranking dos 10 principais produtos exportados no período é formado por:

  1. fumo não manufaturado (US$ 1,1 bilhão)
  2. soja em grão (US$ 809,0 milhões)
  3. cereais (US$ 719,8 milhões)
  4. carne de frango (US$ 625,7 milhões)
  5. farelo de soja (US$ 577,1 milhões)
  6. celulose (US$ 465,6 milhões)
  7. carne suína (US$ 358,1 milhões)
  8. polímeros de etileno (US$ 304,2 milhões)
  9. partes e acessórios de veículos automotivos (US$ 289,9 milhões)
  10. calçados (US$ 279,1 milhões)

A relevância dos itens acima listados na pauta exportadora, alguns deles alvos do tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos desde 6 de agosto, preocupa em relação ao desempenho do comércio internacional nos próximos meses.

No contexto tarifário, aponta o DEE, armas e munições (com 82,8% das exportações destinadas aos EUA), carne bovina (29,6%), calçados (24,8%), fumo e derivados (10,2%) e produtos florestais (20,8%) são os segmentos que exigem maior atenção.

Próximos embarques

Os efeitos reais da possível redução de vendas aos EUA estão sendo estudados pelo DEE. E consideram muitas variáveis. Uma delas tem a ver com a disponibilidade de produtos no mercado global.

A ausência imediata de fornecedores alternativos para os produtos taxados pode fazer com que as empresas norte-americanas sigam importando do Brasil — e do RS, mesmo com as novas alíquotas. Da mesma forma, uma espécie de “desvio de comércio” pode acontecer, com a realocação de itens em mais intensidade para países já compradores, como a Argentina, no caso das máquinas agrícolas.

— São muitas as variáveis. Em determinados mercados, mesmo com as tarifas, não é possível reduzir as demandas no curto prazo. Em alguns itens o comprador vai ter que pagar mais caro mesmo. É um pouco inelástico, porque não há como fugir disso — analisa o pesquisador do DEE sobre as dinâmicas para os próximos meses

Além da taxação, preocupam, ainda, outros riscos inerentes ao cenário global, como os efeitos remanescentes da gripe aviária em Montenegro, que fechou temporariamente mercados para a proteína de frango, a valorização do real em comparação ao dólar e os desdobramentos de conflitos internacionais.

ZH

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