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Guerra no Oriente Médio reduz expectativa por corte da Selic nesta quarta

Decisão do Copom deve levar em conta impacto da alta do diesel sobre a inflação
Guerra no Oriente Médio reduz expectativa por corte da Selic nesta quarta
18.03.2026 16h07  /  Postado por: mateus

O Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil divulga nesta quarta-feira (18) sua decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Após cinco reuniões seguidas em que o órgão decidiu manter o juro em 15%, maior nível em quase 20 anos, a expectativa geral era de que este encontro de março desse início a um ciclo de queda da taxa.

No entanto, um importante fator na equação surgiu desde a reunião de janeiro: a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito gerou a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, o que impacta o preço dos combustíveis no Brasil, em especial o diesel, no qual o país tem maior dependência de importações. Como a logística brasileira é baseada no transporte rodoviário, a alta do diesel eleva custos em diversos setores e pressiona fortemente a inflação.

Antes da guerra, se esperava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic para esta quarta. Agora, analistas veem possibilidade de que a taxa seja novamente mantida em 15%. O boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, mostra que a expectativa do mercado ainda é de redução, mas menor, de 0,25 ponto.

O que o juro alto significa?

A taxa de juro elevada tem como objetivo conter a demanda por crédito e, desta forma, controlar a inflação. O IPCA, índice de inflação oficial do Brasil, acumula 1,03% de alta em 2026, até fevereiro, e 3,81% em 12 meses. A meta do Banco Central para a inflação no ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% para mais ou para menos.

O juro alto, no entanto, também freia investimentos de empresas e restringe o crescimento da economia. Por isso, é alvo de críticas de parte do empresariado.

E o futuro?

Na terça-feira seguinte à conclusão de suas reuniões — neste caso, no dia 24 — o Copom divulga a ata do encontro. Neste documento são detalhados os fatores considerados para a decisão tomada e apontadas tendências para reuniões futuras.

No boletim Focus, o mercado financeiro aumentou a projeção do juro ao final de 2026. A mediana das expectativas agora está em 12,25% — há uma semana era de 12,13%.

A aposta para a inflação no ano também subiu, de 3,91% há uma semana, para 4,10% agora.

A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril.

ZH

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