Gasolina dispara e vira principal efeito da guerra no Irã para moradores de Boston: “Muito cara”
— A gasolina está subindo muito. A guerra afeta o mundo inteiro, mas, desculpa, eu não gosto muito de falar sobre isso.
O relato deste norte-americano, que pediu para não ser identificado, ilustra como a comunidade de Boston reage à guerra travada desde 28 de fevereiro pelos Estados Unidos contra o Irã.
O conflito é pouco comentado nas rodas de conversa da cidade e até mesmo nos jornais locais. Mas o que preocupa o povo mesmo é a inflação, sobretudo a disparada no preço dos combustíveis nos últimos dias.
— A gasolina ficou muito mais cara. Há duas semanas, o galão de gasolina custava US$ 2,70. Desde o início da guerra, subiu para US$ 3,70 _ relatou a Zero Hora o motorista de aplicativo Minchi Sung, 28 anos, que me conduziu do aeroporto de Logan ao hotel, no centro da cidade, na terça (24) à noite, uma corrida que custou US$ 40.
Convertendo para a unidade de medida brasileira, é como se o litro da gasolina tivesse, em apenas duas semanas, disparado de R$ 3,55 para R$ 4,90, valores considerados altos para o padrão recente norte-americano.
O aumento no preço acaba impactando o valor para os usuários.
— Em fevereiro, uma corrida da minha casa, em Cambrigde, até o Gillete Stadium custava US$ 95. Agora, a mesma viagem sai por US$ 105. Do aeroporto para a minha casa custava US$ 40 e agora está US$ 57. Se fizermos a conversão, estamos falando de um aumento de quase R$ 100 — relata a jornalista gaúcha Simone Iglesias, 49 anos, repórter de economia e governo da Bloomberg e bolsista na renomada universidade de Harvard.
Na noite desta quarta (25), logo após chegada da Seleção Brasileira a Boston, para o amistoso contra a França, o mineiro Kelvin Freitas, 32 anos, que também trabalha como motorista de aplicativo na cidade, reclamou da inflação de uma forma geral.
— As coisas estão muito caras. A gasolina subiu pelo menos um dólar nas últimas semanas, mas os produtos no mercado também estão mais caros. A inflação aqui está bem alta — queixou-se.
A guerra em si, contudo, é um assunto pouco comentado nas ruas. Até mesmo os principais jornais da cidade, como o Boston Herald e o Boston Globe, dão mais ênfase às notícias locais do que às tensões no Oriente Médio.
Contudo, a população de Boston já sente os efeitos do conflito no bolso.
ZH


