O Dia da Indústria, celebrado nesta segunda-feira em todo o país, deve servir como uma oportunidade de reafirmar a relevância do setor para o Rio Grande do Sul, discutir os gargalos que por vezes limitam seu potencial e planejar ações conjuntas que impulsionem a competitividade das empresas, a criação de novos postos de trabalho e a geração de riqueza para o Estado. O segmento é um dos pilares da economia gaúcha: compõe 27% do Produto Interno Bruto (PIB) regional e garante um contingente de 870 mil empregos.
Escorado em qualidades como a diversificação e a busca permanente por inovação, o setor contribuiu de forma decisiva para o saldo positivo do PIB gaúcho no ano passado
Esse portento produtivo é fruto de uma longa tradição de empreendedorismo que se reflete nas agroindústrias dos vales do Taquari e do Rio Pardo, no polo metalmecânico da Serra e no núcleo coureiro-calçadista no Vale do Sinos, entre tantos outros pontos de excelência fabril espalhados de norte a sul. Escorado em qualidades como a diversificação e a busca permanente por inovação, o setor contribuiu de forma decisiva para o saldo positivo do PIB gaúcho no ano passado — cresceu 1,7% em relação ao ano anterior, ajudou a compensar a retração da agropecuária causada pela estiagem e permitiu que o Estado avançasse 0,9% na média geral.
Isso não significa que a indústria gaúcha esteja a salvo de desafios. Além da manutenção dos juros em um patamar asfixiante no cenário nacional e das intermináveis tensões geopolíticas globais, enfrenta obstáculos estratégicos e climáticos específicos. O infame sucateamento da rede ferroviária gaúcha, que dificulta e encarece o escoamento da produção, é um exemplo de empecilho que ainda precisa ser superado para que as empresas ganhem tração e ampliem sua competitividade dentro e fora do país. Também é fundamental que se concretizem todos os prometidos investimentos públicos destinados a aumentar a segurança da população e dos parques fabris contra as enchentes que tanto prejuízo causaram em 2024. A facilitação do acesso a crédito e o estímulo à formação de novos profissionais especializados são outros pontos de atenção — 85% das indústrias do Estado relatam escassez de trabalhadores especializados, em um sinal da urgência de mais investimentos em educação profissionalizante.
Recentemente, vêm surgindo bons exemplos de superação de dificuldades e de estímulo ao desenvolvimento. O programa Acordo Gaúcho permite a renegociação e regularização de dívidas de ICMS. Além de desafogar empreendedores em débito, contribui para reduzir o estoque de dívida ativa no Estado, calculado em cerca de R$ 42 bilhões. Já a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) lançou a campanha institucional A Indústria é Tri, que integra uma programação especial a ser desenvolvida ao longo de maio com o objetivo de aproximar o setor e suas 53 mil empresas do restante da sociedade.
Um dos destaques do calendário ocorre nesta segunda, quando se realiza mais uma edição do INDX — painel dedicado a discutir as perspectivas e desafios do setor. O evento vai marcar ainda o lançamento do projeto Educação Tecnológica para o Futuro da Indústria Gaúcha — Clubes de Robótica. A medida, que visa aproximar os jovens da realidade industrial de forma inovadora, é outro acerto na busca pela construção de um futuro cada vez melhor para as empresas e para a população do Rio Grande do Sul.
